quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Um brinde no bolo rei

"A crise económica fez despertar entre os nossos concidadãos um sentimento que, ao longo dos séculos, constitui uma característica estrutural do povo português: a tendência para o pessimismo e para o desânimo colectivo.

A crise deu lugar à demagogia, à atracção pelo populismo fácil e ao refúgio em visões utópicas e desfasadas da realidade. Emergiu, em muitos sectores da sociedade portuguesa, a ideia de que todos os dirigentes são iguais – nas responsabilidades pelo estado do País, nos seus comportamentos éticos, numa forma de participar na vida pública exclusivamente centrada na defesa de interesses pessoais e na satisfação de clientelas.

À ideia de que são todos iguais não tem sido o sistema político capaz de responder com a demonstração inequívoca de que existem diferenças, diferenças profundas, entre os que intervêm na esfera pública.

Ao longo do meu mandato, julgo ter mostrado que, de facto, existem diferenças substanciais na forma de participar na vida política. A minha recandidatura à Presidência da República é prova disso. Na verdade, tendo desempenhado as funções de Primeiro-Ministro – o único período da nossa História recente em que, assinale-se, nos aproximámos inequivocamente do nível de desenvolvimento médio da União Europeia – e tendo exercido um mandato como Presidente da República, seria por certo tentador e mais cómodo, do ponto de vista dos meus interesses pessoais e familiares, não me submeter de novo ao julgamento dos Portugueses nem ocupar por mais cinco anos um cargo que exige constante dedicação e muito, muito, trabalho." (...)

Depois de ler todo este manifesto do presidente Cavaco Silva  que nos dá a conhecer o "pessimismo" e o "desânimo colectivo" dos portugueses, a "demagogia" "de que todos os dirigentes são iguais", e os "comportamentos éticos"  que estão cada vez mais centrados nos "interesses pessoais e na satisfação de clientelas", sem que ele assuma  qualquer culpa neste 'cartório'(?);  a este atormentado concidadão, que é o 'dedopolitico', só resta esclarecer uma única dúvida: E os Portugueses? Ainda acreditarão nele?... no Pai Natal?

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